domingo, 15 de maio de 2011

Biblioteca de livros Técnicos Digitais multimídia

Prezado Senador Álvaro Dias

Cumprimentando-o pelo excelente trabalho no Congresso Nacional, peço-lhe, se possível, que retransmita ao Senador Marco Maciel nosso aplauso diante da manifestação do Excelentíssimo Senador da República, no dia de ontem, quando discursou sobre a necessidade de livros, entre eles livros eletrônicos.

Não podemos perder essa oportunidade de levar ao Congresso Nacional a idéia do Livro Técnico Didático Eletrônico.
Em anexo uma apresentação de nossa visão do potencial da literatura eletrônica.

Abraços

Cascaes
10.4.2007



----- Original Message -----
Sent: Monday, April 09, 2007 10:46 PM
Subject: Livro Técnico Didático Eletrônico - LTDE

Ofício ABDC 05/2007


Assunto: Universalização do acesso à cultura técnica
Referência: Livro Técnico Didático Eletrônico - LTDE


Ao Excelentíssimo
Senador Marco Maciel

Prezados senhor

Na condição de presidente da Associação Brasileira de Defesa Cívica (ABDC), ex-professor e engenheiro com vivência em diversas atividades aplaudimos sua manifestação no Senado Federal sobre a necessidade de se ampliar a oferta de livros em nosso país.
Em especial, conforme fomos informados, ficamos encantados com a sugestão de se criar bibliotecas de livros eletrônicos.
Nós temos proposto a criação de uma Biblioteca de Livros Técnicos Didáticos e Eletrônicos (BLTDE) conforme exposto a seguir. Nesse intuito procuramos motivar diversas empresas e órgãos do governo estadual (PR) e federal.
Imaginamos que o conteúdo dessa biblioteca poderia ficar disponível nos portais de governo do estado e entidades que se associarem neste projeto. A utilização da BLTDE seria gratuita quando acessada via internet, cobrando-se custos adicionais quando os interessados solicitassem outras formas de acesso.
A viabilização da gratuidade seria o resultado da inserção de mídia dos patrocinadores que poderiam ser empresas estatais, privadas ou o governo diretamente.
Com os títulos agendados em comum acordo com os patrocinadores, entrar-se-ia em contato com os professores das universidades, que aderissem a esse plano, para elaboração da biblioteca proposta. Naturalmente eles seriam remunerados pelo trabalho realizado de acordo com avaliação dos contratantes.
Das empresas estatais supomos o interesse especial em oferta de parte de seus projetos/recursos para P&D (acesso a fundos setoriais e recursos da Lei Rouanet), onde acreditamos se colocar a melhor e mais lógica oportunidade de financiamento. É importante enfatizar que os especialistas seriam contratados para fazerem, sob encomenda e com roteiro definidos pelos contratantes, o(s) LTDE(s) selecionado(s) para o autor de acordo com sua(s) competência(s).
O fundamental será criar um portal de referência de cultura técnica em língua portuguesa onde todos poderão encontrar literatura técnica de boa qualidade e sem custos para o usuário.
Temos em mente que a universalização da cultura técnica é possível e desejável num mundo cada vez mais exigente. Ter elementos de transmissão de informação profissional é base para a multiplicação de pessoas habilitadas a trabalhar, a contribuir para o desenvolvimento da humanidade.
Nossa convicção é a de que o custo e a pequeníssima oferta de livros técnicos em língua portuguesa são responsáveis pela diminuição da eficácia do ensino técnico e superior no Brasil (e conseqüentemente, do exercício da profissão), país com um mercado reduzido nessa área, se comparado às nações de línguas dominantes.
Acreditamos que a Internet, o espaço web, é o ideal para divulgação de obras didáticas, mais ainda se esses livros não gerarem custos além da impressão de textos, a critério dos interessados. Denominando-os provisoriamente de LTDEs, imaginamos a possibilidade de produzi-los em parceria com as universidades.
Note-se que o LTDE será especialmente útil aos portadores de deficiências. Sendo livros didáticos sem limitação de tamanho, número de páginas, podendo conter explicações mais detalhadas e apresentação de laboratórios e bibliotecas virtuais (lincadas) serão altamente eficazes no apoio ao estudo, ainda que à distância, sempre necessário além das aulas formais. Nesse sentido vivenciamos as dificuldades de nossos filhos que, lamentavelmente, têm limitações auditivas. Principalmente no terceiro grau as barreiras são imensas... Com eles aprendemos a avaliar as condições didáticas e pedagógicas de nossas escolas onde, a despeito de leis, decretos etc a comunicação com os professores é precária.
A participação da ABDC nesse projeto, se encampado pelo governo, fica a vosso critério. Para nós o fundamental é a viabilização da proposta aqui encaminhada, pois a vemos como solução para inúmeros problemas de apoio e formação técnica.
Em anexo dados e artigos de apoio à nossa proposta.

Colocando – nos à disposição para maiores esclarecimentos.
Subscrevemo-nos
Atenciosamente


João Carlos Cascaes
Presidente da Associação Brasileira de Defesa CívicaABDC

Curitiba, 09.04.2007
Coordenadas pessoais:   jccascaes@onda.com.br
Rua Dorival Pereira Jorge, 282, Vila Isabel, Curitiba PR 80320-060
Telefone: x41 3242 7082,   Fax: x41 3343 7226,  Celular: x41 9612 8826



Índice



UNIVERSALIZAÇÃO DA CULTURA TÉCNICA

LIVRO TÉCNICO DIDÁTICO ELETRÔNICO – LTDE


Introdução


A evolução tecnológica amplia continuamente o universo das oportunidades de aprendizado. Esse espaço de desenvolvimento depende, contudo, de acessibilidade a recursos modernos de comunicação, onde existe a possibilidade de contato universal com a arte em seu momento mais próximo da realidade.
O Brasil é um país de dimensões continentais com uma população espalhada em todos os seus quadrantes, espaços ocupados por contingentes muito diferentes, mas sempre comunidades onde brasileiros precisam de recursos para se desenvolverem adequadamente.
As telecomunicações, graças aos sistemas via satélite, fibra ótica e os tradicionais computadores, dão condições para que, em qualquer lugar de nosso país, tenhamos como utilizar e transitar informações.
O desafio é aproveitar adequadamente esse potencial, diante de nossas carências culturais e econômicas, para propiciar a todos uma condição básica de desenvolvimento dentro do melhor padrão possível.

Considerações gerais


O direito de saber


Estamos vivendo um período revolucionário na área energética. Talvez tenhamos nos próximos anos transformações semelhantes às que experimentamos na telefonia. Novas soluções para produção, transporte e utilização poderão alterar substancialmente o cenário mundial, mais ainda diante da necessidade de se conter a poluição atmosférica, principal indicador de saturação de algumas formas clássicas de transformação da energia a favor das nossas atividades.
Nesse cenário mais complexo e com inúmeras alternativas, passando, entre outras coisas, pela melhor fabricação de tudo o que usamos, de uma arquitetura inteligente, hábitos mais coerentes com o que podemos fazer, torna-se essencial a universalização da cultura técnica.
O maior aliado do desperdício é a ignorância, característica alarmante quando procuramos de alguma maneira avaliar os conhecimentos das pessoas em geral.
A grande revolução cultural da humanidade aconteceu por etapas, sempre em torno da facilidade de registro e transmissão de conhecimentos. Dos registros em pedras, passando pelo papiro, Gutenberg (Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg (viveu entre a década de 1390 a 1468)), telefonia, radiocomunicação, sistemas de televisão etc atingimos o início do século 21 com um tremendo potencial de comunicação. Nossa capacidade de registrar, mandar informações e usá-las é tão grande que simplesmente arranhamos o filão que criamos nesses últimos milênios de existência do ser humano.
Temos, portanto, procedimentos anacrônicos e, diante do que seria possível fazer, prejudiciais à nossa vida.
Um exemplo de limitações odiosas é a inacessibilidade às normas técnicas, elas deveriam obrigatoriamente ser disponibilizadas gratuitamente, pelo menos via portal de nossas instituições. A remuneração dos “donos” dessas entidades poderia vir de publicidade associada aos documentos públicos, renda via algum encargo sobre o produto motivo de criação da norma ou outro mais criativo. Nunca nada que criasse obstáculo ao consumidor, ao cliente, ao cidadão que precisa saber o que usa e consome.
As verbas de publicidade das empresas e a própria Lei Rouanet teriam como serem mais úteis à nação, pagando a criação e manutenção em portais especializados de literatura técnica didática, algo que nossos estudantes, profissionais e até o indivíduo mais humilde possa utilizar para aprender uma profissão e, no mínimo, se estiver preparado, estudar detalhes daquilo que compra ou paga no amplo mercado que aparece até em nossas tomadas de luz e força em nossas casas.
Em conservação de energia não podemos esquecer um vídeo que utilizamos na década de oitenta do século passado (segundo milênio da era cristão) em palestras pela COPEL. Maravilhosamente, compententissimamente, nesse vídeo educativo uma instituição japonesa mostrava e explicava as experiências que faziam para aproveitar ao máximo a energia. Da arquitetura inteligente a detalhes de automação, uma coleção espetacular de produtos ensinava como podemos usar melhor a energia. E os japoneses não pararam em lições sofisticadas. Vimos o ex-primeiro ministro (Junichiro Koizumi, nascido em 1942, governou o Japão de 2001 a 2006) dessa grande nação propondo a utilização de roupas leves e a abolição da gravata no verão para que gastassem menos em energia elétrica, reduzindo assim, inclusive, o efeito estufa. Aqui preferimos instalar aparelhos de ar condicionado, sem qualquer cuidado com as paredes, esquadrias, vestíbulos, isolamento térmico, roupas etc.
Precisamos ensinar, aprender, mudar paradigmas. Para tudo isso a universalização da cultura técnica é fundamental. Depender de livros caros e extremamente limitados, normas em papel, caras e de acesso difícil, regras ocultas etc é desinteligente.
Devemos vencer competições não pela posse de informações, mas por saber usá-las melhor.
Utilizando com mais competência os sistemas eletrônicos de comunicação, viabilizando a transmissão de conhecimentos sem custos diretos, tornando-a acessível a todos os brasileiros, estaremos complementando o esforço do governo na meta da inclusão digital. Simplesmente dar computadores será um grande passo, mas, certamente, criando-se sistemas de informação técnicas acessíveis a todos estaremos dando um grande passo em direção à solução dos grandes desafios do século 21.


Proposta


Criar uma biblioteca eletrônica de referência, de acesso gratuito com livros técnicos didáticos (Livro Técnico Didático EletrônicoLTDE), sendo que os livros didáticos seriam classificados de acordo com o mérito de seleções prévias e avaliação de usuários.

Entidades promotoras (hipótese)


1.    A Organização Não Governamental Associação Brasileira de Defesa Cívica – ADBC, com sede e foro na cidade de Curitiba, Estado do Paraná, na rua XV de Novembro, 2529, cj. 01, é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, destinada a promover a defesa do interesse público, por meio de acompanhamento e fiscalização dos contratos de concessão, permissão e autorização dos serviços públicos em âmbito nacional e local assim como na avaliação de projetos e tecnologias utilizadas em serviços públicos essenciais.
2.    ANEEL?
3.    MCT?
4.    MECL?
5.    UTFPR?


Objetivos


1.           Universalização da cultura técnica.
2.           Oferecer literatura técnica didática, em sintonia com a ementa dos cursos de segundo grau técnicos e terceiro grau existentes no Brasil, gratuita ou de baixo custo via Internet, CDs e DVDs.
3.           Aumentar a acessibilidade do estudante de baixa renda à literatura técnica.
4.           Facilitar a participação em cursos de segundo e terceiro graus dos estudantes portadores de deficiência.
5.           Criar biblioteca de alto nível didático.
6.           Estabelecer referência técnica.
7.           Embasar esforços de elevação de nível pedagógico das escolas técnicas e universidades brasileiras.
8.           Projetar o Brasil no cenário técnico internacional.
9.           Ampliar e fortalecer a literatura técnica em língua portuguesa
10.        Facilitar os desenvolvimentos urbanístico, industrial e agropecuário, saneamento básico, saúde, direito, enfim, gerar em todas as profissões base de apoio técnico de alto nível em nosso país.
11.        Gerar base de conhecimentos com qualidade certificada e coerente com as exigências do MEC, facilitando desenvolvimento e avaliação dos cursos técnicos profissionalizantes e de nível superior.

Qualidades especiais - resumindo


O LTDE com marca registrada denominada Tecnolivro, de propriedade da Stuart, (de quem tivemos apoio no desenvolvimento do projeto) vide portal http://www.stu.art.br,  ou outra denominação a ser registrada, sendo colocado no espaço internet, será:
·                    Universal
·                    Interativo
·                    Criará oportunidades imediatas em qualquer lugar
·                    Poderá ser impresso por qualquer entidade ou aluno
·                    Permitirá atualização on-line
·                    Utilização do conceito “e-book”
·                    Oferecido em CD, DVD (pode conter dezenas de livros diferentes) e livros convencionais após concurso ou avaliação positiva mediante pagamento de custos de impressão e distribuição.
·                    Base para exemplos, laboratórios e exposições virtuais e exercícios dinâmicos
·                    Ambiente para melhor aproveitamento de efeitos especiais, mídia, comunicação visual e auditiva
·                    Livro com melhor adaptação para o portador de deficiências podendo conter recursos de comunicação adequados ao PPD de acordo com sua espécie de dificuldade de percepção (vocabulário adequado ao surdo, por exemplo).
·                    Não tem limite de número de páginas.
·                    Pode e deve conter hiperlinks
·                    Instrumento de promoção dos autores e pólos de educação associados assim como dos patrocinadores externos.

Apoio técnico e financeiro


Podemos obter orientação e apoio das seguintes entidades
·         UNESCO
·         EmpresasLei Rouanet
·         Fundos Setoriais
·         Mídia de empresas públicas e privadas


Opiniões e informações gerais



Livro eletrônico e a literatura técnica


A principal ferramenta para o desenvolvimento tecnológico de qualquer nação é a acessibilidade à literatura técnica. Países que ficaram para trás no desenvolvimento tecnológico precisam encontrar formas de massificação de obras técnicas e culturais. O custo do processo é significativo, exigindo a adoção de tecnologias mais acessíveis.  No Brasil  percebe-se nitidamente o abandono do livro de Engenharia. Nas prateleiras das livrarias é difícil encontrar algo que preste, atual, bem feito. O resultado é a dependência de livros estrangeiros em língua diferente da nossa, caros e de difícil avaliação. Lembrando que o número de estudantes em escolas particulares aumenta e que justamente esse contingente é formado por estudantes que trabalham para sustentar suas famílias e pagar mensalidades, pode – se avaliar a dificuldade que livreiros, professores e universitários encontram para manter o nível dos cursos.
O custo financeiro para o suprimento permanente das prateleiras é enorme num país que insensatamente prioriza a agiotagem e por absoluta incompetência de seus gerentes econômicos é incapaz de sair da gaiola em que se meteu.
Na área técnica a carência de bons livros é flagrante e desesperadora. Encontramos algo razoável em matérias básicas, aquelas que todos os estudantes, no Brasil inteiro, precisam, criando assim um mercado atraente. Cursos mais especializados, contudo, dependem de obras antigas, não reeditadas, raridades que procuramos em sebos e na biblioteca dos profissionais mais velhos.
Felizmente alguns sites de indústrias trazem alguma coisa, às vezes caridosamente amplas e didáticas. As terríveis apostilas são outra forma de compensação, sempre deixando a impressão da improvisação, do bitolamento dos alunos e até com o perigo de cópias sem autorização de outros trabalhos.
Felizmente a eletrônica e sua indústria evoluem.
Os computadores e os meios de registro eletrônico estão cada vez maiores, melhores e mais baratos. Dentro de um CD pode-se colocar a melhor obra técnica com recursos dinâmicos e um volume muito maior de ilustrações, exercícios e links a endereços no mundo web. Com essa tecnologia poderemos desenvolver os livros eletrônicos, os “e books” que, como mostra o site http://www.guiadohardware.net/e-books/index. custarão em torno de 10% do valor de um livro convencional.
Vale a pena transcrever o que diz esse espaço comercial de divulgação de livros eletrônicos:
“O que é um E-Book?
Um e-book, ou eletronic book, é um livro como outro qualquer, a única diferença é que ao invés de ser impresso, é vendido em formato digital.
Para o leitor, a maior vantagem do e-book é o preço. Um livro tradicional custa tão caro não por o autor ou mesmo a editora ganharem muito, mas sim, devido aos custos de impressão, distribuição e venda, somado ao que é perdido com o encalhe. Num livro que custa 50 reais nas livrarias, por exemplo, entre 15 e 20 reais ficam com a própria livraria, 3 ou 4 reais são gastos com transporte ( que em geral cada livraria compra apenas uma, ou poucas cópias de cada livro por vez), de 6 a 8 reais são gastos com impressão, 4 reais ficam com o autor e o restante fica com a editora, que além do custo operacional também tem que arcar com o prejuízo dos livros que encalham.
Como um e-book é distribuído em formato digital, não existe custo de impressão, distribuição, nem o risco de encalhe, por isso, ele em geral custa menos de 10% que custaria caso fosse impresso. Você não paga pelo papel, mas apenas pela informação em si. O livro pode então ser lido no seu PC ou Palm ou então impresso. Você escolhe o que acha mais prático.”
O desafio, então, é o estímulo à produção de obras técnicas. Com o apoio do MCT, fundos setoriais, e/ou utilizando verbas de publicidade, empresas, universidades e fundações poderiam criar concursos para estimular a construção de livros científicos, didáticos e técnicos. A venda ou até a disponibilização, sem ônus para o estudante, via internet, dessas obras em português em sites conhecidos seria a forma de universalização da cultura técnica.
Podemos e devemos criar novas formas de aceleração do desenvolvimento técnico de nosso país. O livro eletrônico é um excelente veículo. Será que teremos quem apóie essa idéia?

Cascaes
27.9.2

Exclusão cruel


A humanidade vive tempos de contradições severas e cruéis.
Fruto de momentos de rara inspiração, os seres humanos mais evoluídos construíram ideários em que a fraternidade, o respeito mútuo e a procura por uma sociedade justa em busca da felicidade seria a base da construção de um mundo melhor. Assim ganhamos leis, estatutos, declarações de direitos etc. Contraditando tudo isso o mundo mergulhou nas lógicas neoliberais onde a re-escravização do ser humano ganhou status de modernidade. Assim direitos e deveres estão sendo reconstruídos (ou destruídos) para viabilização de lógicas consumistas, provavelmente queimando nesta fogueira as bases filosóficas que indicavam a prosperidade intelectual e a felicidade real dos seres humanos.
As pessoas e as corporações procuram formas de se defenderem. Graças à força de algumas entidades nelas encontramos instrumentos de mútua valorização, mas de exploração implícita das demais, à medida que ignoram restrições que, antes de mais nada, deveriam ser motivo de atenção para superação e harmonização.
O darwinismo social tem inúmeras formas de expressão, a pior, talvez, seja a simples alienação às necessidades que muitos seres humanos têm de maior atenção a limitações eventuais, suficientes, contudo, a exclusões brutais e causadoras de enorme sofrimento.
Entre os portadores de deficiências talvez a surdez seja um dos piores fatores de limitação profissional e social. Num mundo em que a comunicação cresce e se transforma em fator de competição, descobrimos em todas as atividades humanas a marginalização daqueles que encontram dificuldades, ainda que alheias às suas vontades.
Temos leis e decretos, normas, portarias, estatutos etc prontos ou em formação. No Brasil, principalmente, existe um esforço de integração louvável. Lamentavelmente esse trabalho é sistematicamente prejudicado pela alienação e egoísmo de pessoas que poderiam e deveriam ser mais atentas às necessidades de nossos brasileiros especiais, especiais, pois neles encontraremos qualidades mais desenvolvidas, sensibilidades e habilidades que se criam por necessidade de sobrevivência.
Está na moda falar de cotas raciais, esmolas e coisas parecidas. Essas polêmicas têm desviado a atenção da sociedade em relação às questões relativas aos portadores de necessidades especiais, levando-a a esquecer os portadores de deficiências. Talvez por isso e por exemplo possamos (assustadoramente) registrar que: “5.750.809 possuem dificuldades auditivas ou surdez, no Brasil* , 519.460, até 17 anos de idade*, 276.884, entre 18 e 24 anos*, 56.024 surdos matriculados na educação básica**, 2.041 no ensino médio**, 300 alunos universitários com surdez** (*Censo Demográfico de 2000, do IBGE. **Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), de 2003).”
Nada impede que o governo federal opte pela caridade social, parece ser essa uma forte inclinação dos nossos candidatos. É justa e necessária à medida que se despreza a preparação e o acesso ao mercado de trabalho. Havendo, contudo, pretensão de se viabilizar a vida com dignidade, é nas escolas, em todos os seus níveis, que deveremos criar recursos para a superação de limitações de milhões de brasileiros que anseiam por um espaço justo e merecido na luta pela vida.
Surdos, cegos, cadeirantes, pessoas com necessidades especiais, enfim, merecem atenção mais do que urgente. Nossas estatísticas falam por si .
O desafio é: o que fazer para a viabilização da inclusão acelerada?
Nossas universidades têm quadros excelentes. Deles precisamos de propostas e ações concretas. Nada incomoda mais do que participar e ouvir discursos melosos, teorias, estudos etc. Grande parte dos elementos de restrição são mais do que conhecidos. Precisamos, isso sim, de providências urgentes, imediatas e firmes para viabilização da vida de todos os brasileiros, principalmente daqueles que realmente merecem a nossa atenção.

Cascaes
26.8.2006

Universidade para surdos


O presidente Lula está viabilizando mais uma universidade no Paraná, a Universidade do Mercosul. Antes disso criou a UTFPR a partir do CEFET/PR, consagrando um complexo educacional de altíssimo nível em nosso estado.
Discute-se fortemente a criação de cotas em função da raça nas universidades brasileiras. Tese altamente polêmica, dá votos.
O ensino universitário no Brasil precisa ser rediscutido integralmente, inclusive uma autonomia que viabiliza um tremendo corporativismo, algo que o povo precisa olhar com mais atenção, afinal as escolas públicas devem ter por objetivo primordial atender as necessidades e anseios da nação, são mantidas com o dinheiro do contribuinte...
A mídia é a verdadeira mandatária das prioridades nacionais, como ela tem estado cheia de assuntos excitantes, as questões relativas aos portadores de deficiências ficaram em segundo plano. É um foco que precisa ser retomado com vigor.
Na educação o Paraná está maduro para mudanças mais do que necessárias, entre elas a maior atenção às pessoas com necessidades especiais.
Os cadeirantes encontram apelo fácil, pois é difícil ignorar a dependência de aparelhos para se locomoverem e os equipamentos públicos podem ser adaptados às suas condições de deslocamento, saúde e outras que eles, melhor do que ninguém, conhecem e sabem explicar. Podem e devem pretender a inclusão.
Carecemos, contudo, de atenção para os deficientes auditivos. Esses talvez estejam entre aqueles mais desprezados e rejeitados pela sociedade. Quem perde audição gradativamente vai descobrindo como as pessoas não têm paciência com aqueles que ouvem mal. Parece ser obrigação do surdo descobrir uma forma de adaptação aos que ouvem normalmente. O problema é infinitamente maior nas escolas. A solução tem sido a complementação de ensino aplicada pelos pais e mestres especiais. O pesadelo cresce à medida que o surdo sobe na escala da formação profissional.
As universidades são ambientes de competição que tem início no vestibular. Seus alunos são pessoas que se destacaram disputando vagas e querem, mais adiante, serem escolhidos entre outros para os melhores postos de trabalho. Ou seja, o egoísmo e a competição é a regra implícita nesses locais de lançamento dos futuros profissionais de nosso mundo.
A questão básica é: os surdos não mereceriam maior atenção? Por quê não se criar cursos de terceiro grau dedicados aos deficientes auditivos? Que tal elencar carreiras em que os deficientes auditivos teriam maior probabilidade de sucesso, começando por elas a formação de uma universidade para os surdos?
Na pátria americana do capitalismo, há mais de um século (1864), existe a Gallaudet University. Transcrevendo de seu portal http://www.gallaudet.edu/x228.xml : “By 1864, Congress authorized the Institution to confer college degrees, and President Abraham Lincoln signed the bill into law. Gallaudet (Edward Miner Gallaudet—son of Thomas Hopkins Gallaudet, founder of the first school for deaf students in the United States) was made president of the entire corporation, including the college, which that year had eight students enrolled. President Gallaudet presided over the first commencement in June, 1869 when three young men received diplomas for having completed the entire four-year course of studies. Their diplomas were signed by President Ulysses S. Grant and to this day the diplomas of all Gallaudet graduates are signed by the current U.S. President.”
Por quê não seguir esse caminho no Brasil? No Paraná a UFPR, a UTFPR, a Secretaria de Educação do Estado do Paraná, consorciadas ou a mais capaz poderiam estabelecer um convênio (por exemplo) com a Gallaudet, criando a base da primeira universidade dedicada aos surdos brasileiros. Com certeza nosso povo aplaudiria essa iniciativa e assim criaria mais uma alternativa de atendimento às pessoas especiais de nosso país.

Cascaes
26.8.2006

Ensino Especial à Distância


A tecnologia traz problemas e soluções, permanentemente. As cidades crescem, a velocidade no trânsito é um pesadelo assim como a insegurança sob aspectos complexos e triviais. Se algumas situações dependem apenas da competência dos administradores públicos, outras são inerentes às monstrópolis que se formam com o aumento da população.
Os problemas crescem à medida que as limitações aumentam. Pessoas saudáveis, com dinheiro para usar o veículo que precisarem, capazes de se adaptar com facilidade sempre terão vantagens no ambiente competitivo, que se forma até no aprendizado em escolas convencionais. Tudo se torna mais difícil, contudo, quando o alvo é a pessoa portadora de alguma deficiência.
Para o ensino presencial, clássico, precisamos de alunos perfeitos. Até os professores costumam tratar com muita crueldade qualquer perda de rendimento, ainda que causada por alguma dificuldade em ouvir, ver ou sentir o que o “mestre” acredita ensinar. No convívio escolar sentimos nitidamente a falta de vocação e até a ausência de amor ou respeito para com o aluno. Não raro encontraremos professores e alunos com problemas não convencionais, exigindo estratégias diferentes para o ajuste das aulas.
A grande revolução do final do século passado foi a internet. Graças a ela o mundo ganhou um padrão de comunicação que poucos puderam imaginar ser possível. Instantaneamente (on line) ou fora de sincronismo, em tempos diferentes (off line), é possível transmitir e até estabelecer diálogos entre alunos e professores. Aulas podem ser preparadas pelos melhores especialistas e usando o que houver de melhor para ilustrar suas apresentações. Cursos de todo tipo podem atingir pessoas com necessidades especiais assim como aqueles alunos que dispõem de pouco tempo para freqüentar aulas convencionais.
Para suporte ao ensino as escolas poderiam criar centros de apoio onde professores, durante todo o tempo necessário, estariam livres para atender seus alunos em contatos diretos com a ajuda de laboratórios e bibliotecas.  As provas, testes que muitos professores tanto apreciam, poderiam ser aplicadas até em hotéis e balneários, criando uma “freguesiaintelectual nesses lugares de residência temporária. Em torno do ensino à distância existe um universo de oportunidades inexploradas, esperando alguma instituição competente para implementá-las.
Em Curitiba temos algumas iniciativas importantes em diversas escolas, mas ainda não vemos algo a favor dos portadores de deficiências. Nossas universidades poderiam dedicar um tempo maior à criação de cursos para as pessoas com necessidades especiais. Algumas delas, como é o caso da Tuiuti, têm tradição no atendimento a pessoas portadoras de deficiências. Tendo cursos de pedagogia, núcleos de edição (filmes, CDs, livros) e capacidade de acesso a fontes de recursos federais (fundos setoriais e outros) essas escolas teriam como formar centros de edição de cursos à distância de toda espécie para atender idosos, cegos, surdos, paraplégicos etc.
Durante algum tempo tivemos a esperança de formar com um clube de serviços um sistema de ensino à distância para os PPDs. Visitamos até o escritório da UNESCO em Brasília onde sentimos o entusiasmo e disposição daquela entidade em colaborar com essa iniciativa. Infelizmente a burocracia  dessa entidade dedicada a “serviços sociais” mostrou-se incrivelmente lenta e ineficaz, inibindo um sentimento que era enorme no princípio da jornada.
Sabemos que um centro de edição de cursos, dedicado às pessoas com necessidades especiais, poderá ganhar o mundo, onde cresce o número de pessoas idosas e outras, prejudicadas por acidentes, remédios inadequados e todo tipo de doença e má alimentação.
Precisamos descobrir uma forma de utilizar o poder das novas tecnologias para a criação de sistemas de baixo custo, potentes e eficientes para o ensino de pessoas com necessidades especiais. O Ensino Especial à Distância é uma excelente ferramenta nesse sentido.

Cascaes
9.2.3

Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.


No Brasil sabemos festejar. Nosso carnaval é sucesso mundial e pelo Brasil afora as cidades vão descobrindo esse filão turístico e comercial. Aproveitando isso ou aquilo ganhamos roteiros permanentes de danças e cantorias variadas. Pelo menos isso. Talvez por isso tenhamos dias comemorativos de toda espécie. Alguns mais outros menos importantes.
Datas especiais podem lembrar algum santo ou ato histórico relevante. Existem também para se criar momentos de reflexões e de retomada de projetos que poderão ser esquecidos, se nada mais acontecer para relembrá-los. A mídia televisiva e nossos jornais têm assunto de sobra para preencher suas agendas.
Algumas datas são especiais, precisam ser valorizadas.
Merece destaque e está entre os mais importantes, nesse contexto, o Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes. Instituído pelos movimentos sociais em Encontro Nacional em 1982, foi escolhido o dia 21 de setembro pela proximidade com a primavera e o dia da árvore numa representação do nascimento de nossas reivindicações de cidadania e participação plena em igualdade de condições.
Esta data deve ser comemorada e lembrada todos os anos, servindo de momento de reflexão e busca de novos caminhos em nossas lutas a favor das pessoas com necessidades especiais, e também como forma de divulgar lutas e conquistas por inclusão social. Consolidando essa vontade, a Lei Nº 11.133, de 14 de Julho de 2005 instituiu o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.
Perguntamos: no Paraná, onde, como e quem fará desse dia um momento de reflexão sobre as pessoas especiais? Nossas entidades privadas e públicas terão algo a mostrar, demonstrando preocupação real com os deficientes auditivos, visuais, pessoas com restrições motoras, mentais etc?
Infelizmente o Brasil mergulhou em escândalos e em lógicas econômicas brutais. A mídia fala em crimes e da necessidade de se combater a inflação com venenos mortais. O resultado é a alienação em relação a muitas questões tão ou mais importantes.
Queremos, ano a ano, mostrar a evolução, por exemplo, das nossas cidades. Elas estão implementando algo mais a favor dos cadeirantes? Os sistemas de comunicação em nossas rodoviárias têm painéis para suprir as necessidades dos surdos? O transporte coletivo é acessível, seguro? Os motoristas respeitam os pedestres, especialmente aqueles mais velhos? As calçadas têm piso seguro, transitável sem riscos de escorregões, tropeços e outras armadilhas? Nossos planejadores sabem o que é povo? Os clubes de serviço, ONGs, etc atuam firmemente a favor do cidadão comum ou se limitam a ações de rotina?
O mundo tem muitos exemplos bons e ruins. Recentemente, conversando com uma pessoa em grande cargo de planejamento, esse indivíduo relacionou cidades que acreditava serem modelos de respeito ao pedestre. Infelizmente, entre muitos exemplos, alguns simplesmente não mereceriam tal distinção, estavam, contudo, no imaginário dos paradigmas que essa pessoa julgava válidos para Curitiba. Assustador!
Uma característica do mundo moderno é a evolução. Se há algum tempo isso ou aquilo era bom ou suportável, agora existem soluções muito melhores, dando-nos a oportunidade de aprimoramentos reais e de excelente qualidade. Nesse contexto, se os gerentes de nossas cidades realmente quiserem, poderão transformá-las de forma positiva ou, seguindo conveniências de alguns, optar por separar o lixo, criar pistas de corrida em pleno centro urbano, eliminar calçadas, encher de árvores espaços que seriam para ocupação humana, etc. Aliás, é mais do que evidente a opção por bandeiras importadas em detrimento de propostas que a nação brasileira precisa urgentemente. As neuroses dos europeus são mais charmosas que as nossas carências.
O dia 21 de setembro precisa ser uma data de luta pela dignidade humana, pela vida decente para todos os homens e mulheres de nosso país, independentemente de suas restrições, ou melhor, considerando a necessidade de inclusão, de acessibilidade, de valorização de todos aqueles a quem chamamos de filhos de Deus.

Cascaes
1.9.2006

Próteses e equipamentos, P&D


Pessoas com deficiências visuais e auditivas têm muito a ganhar com a evolução da engenharia, arquitetura, urbanismo, medicina etc. Com certeza aos poucos algumas hipóteses de apoio vão se materializando ou apenas esperando quem lhes desenvolva. A engenharia genética acrescentará soluções a favor de todas as pessoas com necessidades especiais se for utilizada para isso. Tudo depende de prioridades em P&D que governos e empresas dêem a esse segmento da população.
Um fator de decisão importante é o crescimento da expectativa de vida das pessoas. A humanidade deve estar se aproximando do primeiro bilhão de indivíduos com mais de sessenta anos. Isso representa um tremendo filão comercial e político à disposição de quem decide e pode ganhar com isso, inclusive essas pessoas mais velhas. O crescimento desse povo deve mudar muita coisa, principalmente nos países mais sensíveis e realmente preocupados com o bem estar de todos os seus cidadãos.
Os urbanistas podem e devem rever seus critérios de concepção e planejamento das cidades. Elas são tão violentas em relação aos idosos que, mostram as estatísticas, fazem dos idosos as principais vítimas do trânsito. Nesse sentido a evolução da educação precisará caminhar par e passo com as soluções, pois esta é realmente a principal carência dos cidadãos. Tornar as cidades mais seguras e acessíveis aos seus habitantes mais carentes de cuidados é um belo e justo desafio.
Mas, dizíamos, a ciência oferece mais e mais oportunidades de solução para o aprimoramento da vida humana. No Brasil, a favor dessa caminhada, temos os fundos setoriais de apoio à pesquisa e desenvolvimento (vide portais dos ministérios atinentes ao assunto). É um volume de dinheiro razoável que também poderá ser utilizado para ajustes e criações nesse sentido. Além disso, até para melhor aproveitamento dos incentivos fiscais e utilização de verbas dedicadas à P&D, estão sendo criados institutos de pesquisa e laboratórios. Professores, cientistas e outros profissionais agora podem pleitear recursos e obtê-los para pesquisas a favor de nosso povo.  O fundamental é que se encontre forma justa de aproveitamento desse dinheiro com um mínimo de burocracia e maximizando resultados.
A Web é uma ferramenta poderosa e nela poderemos acompanhar os programas federais de incentivo à pesquisa. Estudando-os eventualmente descobriremos falhas e deficiências que poderão ser corrigidas se soubermos agir politicamente. Ou seja, em nosso país abrem-se portas que precisam ser conhecidas e exploradas a favor das pessoas com necessidades especiais.
Em noticiários e programas científicos na televisão e também navegando na Internet descobriremos fundos internacionais de apoio à P&D. Multinacionais poderosas têm recursos para esse tipo de atividade. Nos Estados Unidos da América do Norte é tradição a doação de recursos para universidades e centros de pesquisa. Aqui nossos mega empresários ainda não avançaram muito nesse sentido, talvez porque as religiões aqui dominantes não mostrem esse caminho para o paraíso...
Os acidentes acontecem. As pessoas envelhecem. Gente que nunca se imaginou em cadeira de rodas ou aparelhos de surdez e óculos de lentes grossas vive dependendo de próteses. Talvez alguns, com poder político, dinheiro pessoal ou sentimentos de amor ao próximo descubram que podem valorizar essa etapa de suas vidas apoiando centros de P&D no desenvolvimento de próteses, softwares, adaptação de aparelhos, ajustes urbanos, dos sistemas de transporte coletivo, lazer etc de modo a torná-los menos refratários à presença das pessoas especiais.
Inovação, criatividade e boa vontade são a receita de uma vida melhor para os idosos, os cegos, surdos, deficientes mentais e sensoriais. O fundamental é que as pessoas descubram que se a ciência viabiliza bombas atômicas, bombardeiros, tanques de guerra etc, pode também criar condições para uma vida melhor, mais segura e digna se todos se interessarem nesse desenvolvimento.

Cascaes
31.8.2006


Educando e integrando


O estudante com necessidades especiais encontra barreiras imensas quando precisa freqüentar qualquer escola. As dificuldades começam ao sair de casa, fora tudo conspira contra a sua presença. Até em sala de aula as barreiras são sensíveis. Normalmente poucos professores e colegas de classe têm disposição para compensar as deficiências dos alunos e companheiros especiais.
A “modernização” dos cursos de terceiro grau, principalmente, reduziram os sentimentos de turma, de amigos que entravam e saiam juntos das universidades. As lógicas ultra competitivas do neoliberalismo e da globalização transformam jovens em feras, que disputam espaços sem grandes preocupações éticas. A formação de grandes multidões leva os indivíduos a se sentirem isolados, perdidos em massas disformes e agressivas às quais aos poucos se integram. A desagregação familiar pouco contribui para a formação de bons cidadãos...
O desafio maior, apesar de tudo, é criar condições de aprendizado aos portadores de deficiências. Para os indivíduos com problemas físicos as evidências orientam os responsáveis por esses lugares públicos. Não deve ser difícil identificar suas dificuldades e encontrar soluções para resolvê-las. As limitações serão financeiras e de boa vontade.
A acessibilidade e a integração são mais graves para aqueles que têm restrições de comunicação e, pior ainda, não evidenciam suas necessidades.
Com problemas de comunicação os estudantes portadores de deficiências encontram barreiras e rejeições entre colegas, que via de regra optam por identificar outros parceiros de equipes e de conversas. Nesse contexto o surdo, principalmente, é o aluno mais agredido. Se não é motivo de gracejos, é, no mínimo, pessoa indesejável em qualquer trabalho de equipe onde os professores jogam tarefas cujos resultados serão valores de mérito para todos. Nesse contexto o professor deverá ter habilidades para valorizar a presença do aluno especial, sinalizando para seus colegas algum benefício adicional, infelizmente.
Uma sugestão de alguém que vive o problemaintegração” é a criação de monitores de apoio ao aluno especial, gente que seria treinada para isso, de preferência um aluno da própria sala, tendo alguma recompensa monetária ou de mérito e distinção ao final do curso. Esses monitores complementariam sistemas adicionais que a escola pudesse criar e disponibilizar ao aluno surdo (uma sugestão: livros técnicos didáticos eletrônicos, mais completos, com mais detalhes que os livros convencionais, feitos, entre outras coisas, para compensar deficiências de comunicação em aula) e aulas de reforço quando necessário.
O deficiente auditivo é extremamente penalizado na sua formação escolar a ponto de termos o seguinte (e lamentável) registro estatístico do ambiente escolar brasileiro: “5.750.809 possuem dificuldades auditivas ou surdez, no Brasil* , 519.460, até 17 anos de idade*, 276.884, entre 18 e 24 anos*, 56.024 surdos matriculados na educação básica**, 2.041 no ensino médio**, 300 alunos universitários com surdez** (*Censo Demográfico de 2000, do IBGE. **Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), de 2003).” Essa progressão mostra a exclusão violenta contra o deficiente auditivo e o resultado final é a presença de uma fração infinitesimal de alunos em cursos superiores.
Podemos, assim, afirmar que existe a necessidade de se aplicar uma enorme campanha de educação em torno da tolerância e relação pró-ativa com os surdos. Esse projeto é mais do que urgente em nossas escolas. Podemos, entre outras questões, perguntar: as universidades públicas brasileiras estão se preparando para atender os alunos com necessidades especiais? O que elas têm feito? Por incrível que pareça é nas universidades privadas que encontramos mais atenção, principalmente em Curitiba. Aliás, nossos doutores em administração, pedagogia, sociologia e psicologia poderiam e deveriam fazer estudos meticulosos da evolução de nossas universidades, procurando causas e efeitos das leis criadas em torno do ensino superior no Brasil.
A integração do aluno com necessidades especiais em nossas escolas é um excelente indicador da educação de nosso povo. Queremos evoluir realmente?

Cascaes
31.8.2006



Libras: acessibilidade para alunos surdos no ensino superior

Em se tratando de atender ao aluno com surdez ou deficiência auditiva no Brasil, a realidade aponta para uma solução: o bilingüismo (Língua Portuguesa e Língua Brasileira de Sinais, a Libras). Há hoje, matriculados no ensino superior, cerca de 300 estudantes surdos", de acordo com Marlene Gotti, assessora da Secretaria de Educação Especial (Seesp/MEC). Ela destaca que o "afunilamento" da população estudantil, na medida em que o grau de estudo aumenta, é mais acentuado entre os surdos (veja boxe). Ou seja, a ausência de um recurso específico que permita aos alunos com deficiência auditiva o acesso ao aprendizado dificulta ou inviabiliza sua permanência nos bancos escolares.
O Decreto que regulamentará a Lei nº 10.436/2002, que dispõe sobre o ensino e o uso da Língua Brasileira de Sinais foi disponibilizado pelo governo para consulta pública, na internet (até 3 de abril no link http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/consulta_publica/consulta.htm), e, segundo ela, viabilizará a compreensão do currículo. "Uma aula de matemática, por exemplo, dada em Libras muda tudo", afirmou. "Os surdos são inteligentes, mas enfrentam um problema quando se coloca a Língua Portuguesa oral como única forma de explicação das matérias nas escolas", observa. Daí a necessidade de todas as salas que contam com alunos com dificuldades auditivas apresentarem aulas bilíngües. Assim, as aulas devem ser em Língua Portuguesa, traduzidas em Libras por um intérprete.
A Libras é reconhecida no Brasil como meio legal de comunicação e expressão. A assessora lembra que os alunos surdos podem ter explicações das matérias por meio dessa língua. "A lei manda que esse componente curricular seja incluído nos cursos de formação de professores e de Fonoaudiologia. O decreto indicará como tudo isso deve funcionar", observa. A regulamentação, porém, ainda está sendo aguardada.

Graduação
Uma proposta encaminhada pela Secretaria de Educação Especial ao ministro da Educação, Tarso Genro, prevê que os cursos de formação de professores, do ensino médio e superior, e de Fonoaudiologia incluam o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em seus currículos. Como ainda não existem cursos de graduação em Libras no País, a proposta abre a possibilidade de a formação ser ministrada pelos próprios usuários, os surdos.
Segundo o diretor regional da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos - Região São Paulo (Feneis), Neivaldo Augusto Zovico, existem poucas faculdades que contam com intérprete de Libras. "São apenas dez faculdades, somando um total de 27 intérpretes", revela. Segundo ele, na cidade de São Paulo, somente 7% das universidades oferecem esse tipo de recurso para alunos surdos. "Mas existe a Portaria nº 1.679, de 2 de novembro de 1999, que exige intérprete de Libras na Educação, principalmente nos cursos superiores, e também outra Lei, a de nº 10.098, de Acessibilidade, que também exige a quebra de barreiras na comunicação entre surdos e ouvintes na sociedade em geral, principalmente na Educação, para que crianças surdas possam se desenvolver mais rápido com sua primeira língua", destaca. Criada em dezembro de 2000, a Lei de Acessibilidade determina a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e comunicação, promovendo a acessibilidade das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Zovico ressalta que, a partir dessa lei, todas as faculdades têm que oferecer intérprete de Libras. Para ele, quanto maior for o número de universidades que oferecem intérprete de Libras, maior será a liberdade do estudante surdo escolher a faculdade que deseja cursar. O caminho, segundo Zovico, é o aluno primeiro escolher a universidade e, após, procurar a Reitoria para solicitar o intérprete.

Confira, abaixo, algumas universidades em São Paulo que oferecem intérprete de Libras (em ordem alfabética):

Centro Universitário Assunção - UNIFAI
Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Faculdade Cásper Líbero
Faculdade e Centro de Educação Tecnologia Radial
Faculdades Integradas de Rio Branco
Faculdade Paulista de Artes
• Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC
Universidade Anhembi Morumbi
Universidade Cidade de São Paulo - UNICID
Universidade Presbiteriana Mackenzie

Números do MEC


5.750.809 possuem dificuldades auditivas ou surdez, no Brasil*
519.460, até 17 anos de idade*
276.884, entre 18 e 24 anos*
56.024 surdos matriculados na educação básica**
2.041 no ensino médio**
300 alunos universitários com surdez**

*Censo Demográfico de 2000, do IBGE. **Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), de 2003.


LIBRAS, a língua dos surdos



O CD produzido pela ONG Acessibilidade Brasil com o dicionário LIBRAS, distribuído pela Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – CORDE, mostra como as frases em linguagem LIBRAS são construídas; exemplificando: “O Brasil tem muitas plantações de café”. Em Libras será “Brasil café plantação muito”, em portuguêsQuando eu me casar, quero ter três filhosem Librasfuturo casar querer filho três.”.
Ou seja, a língua de sinais é radicalmente diferente da língua portuguesa.
O portador de deficiência auditiva, quando seu problema acontece antes de dominar a língua portuguesa, treinado em LIBRAS, terá dificuldades imensas para dominar a língua portuguesa, cheia de sutilezas, armadilhas e pegadinhas que os vestibulares costumam explorar para selecionar alunos para as universidades. Em todas as matérias as questões são formuladas em nossa língua comum, devendo ser entendidas e, quando for o caso, escritas em Português.
O deficiente auditivo é extremamente penalizado na sua formação escolar a ponto de termos o seguinte (e lamentável) registro estatístico do ambiente escolar brasileiro: “5.750.809 possuem dificuldades auditivas ou surdez, no Brasil* , 519.460, até 17 anos de idade*, 276.884, entre 18 e 24 anos*, 56.024 surdos matriculados na educação básica**, 2.041 no ensino médio**, 300 alunos universitários com surdez no terceiro grau** (*Censo Demográfico de 2000, do IBGE. **Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), de 2003)”. Essa progressão mostra a exclusão violenta contra o deficiente auditivo e o resultado final é a presença de uma fração infinitesimal de alunos em cursos superiores.
Temos leis e decreto garantindo a acessibilidade. O Decreto Federal 5.296 de 2 de dezembro de 2004 regulamenta as leis 10.048 de 8 de novembro de 2000, queprioridade de atendimento às pessoas portadoras de necessidades especiais, e a lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade
A questão é entrar nas universidades e concluir cursos de que jeito? O aluno com deficiência auditiva encontra a barreira da comunicação e, em especial, da língua portuguesa, na qual, inclusive, é exigida redação e compreensão sutil para a conquista de um lugar na escola e progressão no curso. Essa condição não é respeitada, de modo geral, levando à situação dramática mostrada pelo censo escolar, situação que se reflete no mercado de trabalho.
. As empresas são obrigadas desde 1991, por lei, a destinar uma cota de vagas, que varia de 2% a 5% do seu total de funcionários, para pessoas portadoras de deficiência A lei nº 8.213 de 1991 estipula uma cota de 2% de empregados PPD’s quando a empresa tem de 100 até 200 funcionários. Quando este número está entre 201 a 500, a cota mínima para portadores é de 3%, de 501 a 1000, é de 4% e acima de 1000 empregados, esta cota sobe para 5%.
O cenário é ruim para todas as pessoas com necessidades especiais, valendo lembrar aqui mais uma estatística. No Brasil, Censo 2000 do IBGE, há 24,6 milhões de pessoas (14,5% da população) com alguma deficiência, 9 milhões (11% do total) exercem atividade remunerada, sendo que apenas 200 mil (2,2%) têm registro em CTPS. Desse total, quantos surdos?
O desenvolvimento tecnológico viabiliza inúmeras formas de comunicação. Lamentavelmente vemos que no Brasil ele avança muito pouco a favor dos deficientes auditivos. É triste, por exemplo, ver programas e filmes de excelente qualidade mostrados na televisão sem legenda, LIBRAS ouclose caption”.
Temos necessidade urgente de descobrir que no Brasil existem pessoas com necessidades especiais e que, entre elas, o surdo é tremendamente penalizado, merecendo, todas elas, ações urgentes para lhes garantir acessibilidade às escolas, ao mercado de trabalho, à vida normal e saudável a que todos têm direito.

Cascaes
26.10.2006


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