quarta-feira, 1 de junho de 2011

Doutoranda surda defende tese na UFPR

01/06/2011 11:43
Doutoranda surda defende tese na UFPR
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Sílvia Andreis Witkoski
Autor: Arquivo A tese intitulada "Educação de surdos e preconceito - bilinguismo na vitrine e bimodalismo precário no estoque" será defendida pela doutoranda Sílvia Andreis Witkoski, amanhã, quinta-feira, dia 2 de junho, às 8h30, na Sala Homero de Barros


Surda, a autora iniciou o processo de ensurdecimento provavelmente, conforme diagnóstico, no período da primeira gestação, em 2004, sendo que, só o foi percebido no decorrer da segunda gravidez, em 2006. Sílvia destaca que o fato de ter se tornado surda, viver a duplicidade de culturas bem como a condição de estrangeiridade em ambas, influenciaram radicalmente sua trajetória enquanto pessoa, professora e pesquisadora.

Identidade - Com certeza, ao passar a ter uma relação de pertencimento com o grupo de pessoas surdas, conhecendo as dificuldades advindas especialmente do estigma atribuído às deficiências e sendo vítima de atitudes preconceituosas cotidianas, faz com que se perceba como uma professora advoga a luta pelos direitos de todas as pessoas com deficiência dentro de uma motivação que corresponde à sua própria identidade.

Orientado pela professora Tânia Baibich - Faria, do Setor de Educação, o estudo defende que o ensino público oficialmente denominado bilíngue oferecido aos surdos, em escola específica, tem produzido iletrados funcionais devido ao preconceito. Nesse sentido, segundo a autora, colaboram também com o fato a não formação ou formação deficitária dos professores; o estigma de que o surdo é uma pessoa sem condições efetivas de desenvolvimento semelhante aos ouvintes e as tentativas de normalização do deficiente à cultura hegemônica (abafando os frágeis laços identitários que possui com seu grupo e consigo).

Capacitação - De acordo com a pesquisa, Sílvia aponta que a qualificação dos professores das escolas para surdos deve contemplar: a capacitação pedagógica na área de ensino; o conhecimento profundo dos processos diferenciados de desenvolvimento e aprendizagem do surdo e, fundamentalmente, o combate proativo na escola e na sociedade, mediante a produção de conhecimento novo, de uma pedagogia do antipreconceito que não mais os congele na condição de iletrados funcionais.

Sônia Loyola

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