Tecnologia e todos nós
Livros, filmes e reportagens em torno do tema “ciência e tecnologia” mostram quanto pode ser feito para melhorar vida de todos nós. É impressionante, inimaginável há poucas décadas, o que já é possível. Podemos afirmar isso com tranquilidade, pois vimos e usamos profissionalmente muito do que aparecia comercialmente e podíamos importar, quando as barreiras mais do que ingênuas deixavam entrar no Brasil apenas alguns equipamentos de ponta, e aprendemos muito viajando e participando de inúmeros treinamentos.
A visão do que a indústria mundial produzia era sensível em empresas que dependiam dela. A COPEL, por exemplo, foi uma empresa que viabilizou experiências operacionais concretas e fantásticas graças a alguns profissionais brilhantes de seus quadros, que souberam aproveitar de forma eficaz o que lhes era permitido usar.
Assim vimos, usamos e gostamos de tecnologia. Descobrimos e entendemos sua importância e hoje podemos afirmar que esse sistema energético interligado de sul a norte e leste a oeste do Brasil só é possível graças ao que desenvolveram em automação, telecomunicações, computadores, processamento de dados e muita matemática, informática, física, tecnologia de materiais etc. e bom gerenciamento das concessionárias interdependentes.
O Setor Elétrico Brasileiro foi uma tremenda escola, errando e acertando com brasileiros geniais.
Tudo isso nos autoriza a pensar em espraiar essa visão para outros setores.
O tempo passa e a idade vai transformando-nos em pessoas dependentes de próteses, remédios, exames etc. Muitos precisam de soluções tecnológicas bem antes, alguns desde o nascimento...
Estamos agora podendo usar o conhecimento técnico da Humanidade de outra forma, ou seja, viver um pouco mais com qualidade de vida. Percentualmente e em números absolutos os idosos surgem na condição de cidadãos atuantes (O número de idosos deverá aumentar no Brasil) se deixarem de ser vistos como simples diletantes da vida e se der a eles a oportunidade de realizar algo.
Nas empresas os deletérios PDVs (planos de Demissão Voluntária) parecem resumir tudo a contas medíocres de balanços mal feitos.
Percebemos que podemos prolongar nossa vida profissional, social e familiar se tivermos polos de pesquisa e desenvolvimento a favor dos idosos (não apenas para fazer remédios) e das pessoas com deficiência – PcD. O que se fizer a favor de um será útil ao outro, ainda que parcialmente.
Além dos ajustes urbanísticos, desenho universal, acessibilidade e inclusão, novos microprocessadores e computadores, tecnologia de materiais, servo mecanismos, miniaturização, próteses etc. certamente viabilizam soluções acessíveis e necessárias a milhões de brasileiros. A tecnologia pode, com certeza a menores custos finais, transformar pessoas hoje dependentes em seres independentes. Isso ganha valor maior quando têm potencial de contribuir para o nosso povo em geral, no mínimo viabilizando maior autonomia.
Precisamos, contudo, de coordenação objetiva, inovadora, eficaz. Isso não acontecerá sem motivação social, econômica, técnica e política.
Carecemos de um ambiente industrial impulsionado por determinações políticas para esse mundo novo que vai do urbanismo a softwares de apoio a deficientes auditivos, visuais, intelectuais, físicos... e idosos.
Evidentemente impõe-se a evolução ética de nossa sociedade e novos paradigmas.
Nossa sensação é a de que estamos mudando para melhor. Os programas anunciados recentemente pelo Governo Federal dão essa esperança. Vamos torcer para não caírem na vala dos projetos contingenciados, limitados para conter a inflação...
Lamentavelmente o ser humano vive mais disposto a esforços egocêntricos do que comunitários. Temos muita teatralidade para resultados medíocres.
Vale a pergunta: por quê?
Uma explicação possível é a de que só assumimos causas que sentimos pessoalmente.
O aumento significativo da expectativa de vida é recente. Só nesses últimos tempos conseguimos viver mais e com a manutenção razoável de qualidades essenciais em sociedades com hábitos atléticos. Quem se enquadra nessa faixa de vida está descobrindo a importância de prestar atenção às PcD. A fragilidade da velhice pode nos deixar com deficiências graves.
Ou seja, famílias com pessoas com deficiência(s) e idosos dão mais importância ao que se pode fazer por eles. Com o crescimento dos idosos entre adultos e jovens a convivência poderá sutilmente mostrar que a Tecnologia está aí, de bandeja, só esperando para resolver situações difíceis.
Graças aos meios de comunicação, literatura, à Ciência e novos conceitos humanísticos temos esperança de uma evolução real, não podemos perder esse bonde...
Cascaes
28.12.2011
Freitas, E. d. (s.d.). O número de idosos deverá aumentar no Brasil. Fonte: Brasil Escola: http://www.brasilescola.com/brasil/o-numero-idosos-devera-aumentar-no-brasil.htm
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